Essa é a pergunta que me acompanha diariamente desde que comecei a questionar minha própria vida, há mais ou menos um ano. Muitas coisas estavam acontecendo há um ano... muitas. Eu ainda não imaginava a reviravolta que minha vida daria daí a poucas semanas... não fazia sequer ideia de tudo o que estava acontecendo ao meu redor. Eu não percebia. Ou não queria perceber. Apenas sentia que as coisas estavam erradas, sabia que não estava bom, que não estava certo. Mas não queria sair da minha zona de conforto.
Um ano não parece tanto tempo se você pensar na grandiosidade de uma vida inteira, mas pode ser muito tempo quando tomamos a decisão de mudar, de olhar pra dentro de nós mesmos e nos libertarmos de tudo de ruim que nos envolve. Um ano pode ser muito tempo quando decidimos encontrar a resposta para a pergunta: "quem sou eu?"
Dia desses li um trecho escrito pela Martha Medeiros que dizia: "Quem sou eu? A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam."
"A gente é o que a gente gosta."
Complexo, não? Daí parto para outra pergunta: do que eu gosto?
Hm... aí chegamos num ponto importante. Acho que passei uma parte enorme da minha própria vida sem saber exatamente do que gostava. Eu pensava que gostava de tantas coisas que hoje vejo que na verdade eram ilusões. Eu achava que gostava. Ou eu queria gostar. Não sei. Parece confuso, sei disso.
Há pouco menos de um ano comecei a realmente descobrir do que eu gosto.
Logo, quem sou eu?
Eu sou a leitura de um bom livro. Sou a calmaria de uma tarde de ócio. Sou um bom filme sobre a vida, uma série que não dá vontade de parar de assistir. Sou o feminismo, sou todas as mulheres que tentam fazer do mundo um lugar melhor. Sou o amor incondicional das minhas filhas felina e canina. Sou um bom café passado na hora, um bolo quentinho. Sou uma boa noite de sono, o cheiro de casa limpa, a brisa da manhã, o cheiro da natureza, o perfume da dama da noite. Sou a grama verde, o céu estrelado. Eu sou uma manhã na praia, a areia macia e o mar calmo. Eu sou a risada espontânea de um bebê. Eu sou Clarice Lispector, Myriam Campello, Rubem Alves, Caio Fernando Abreu. Eu sou Amelie Poulan, sou Arya Stark, sou Frida Kahlo, sou Dandara. Sou uma música boa. Sou o abraço de um amigo. Sou o colo da minha mãe. Sou as lembranças felizes da minha infância. Sou a troca de amor e energia do sexo com a mulher que amo. Sou a troca de olhares, o afago, o sorriso, a companhia, a cumplicidade.
Impossível terminar esse texto. E essa é a sua maravilha: não ter fim.
Martha, my dear, você tem toda a razão.