quinta-feira, 20 de abril de 2017

Quem sou eu

Essa é a pergunta que me acompanha diariamente desde que comecei a questionar minha própria vida, há mais ou menos um ano. Muitas coisas estavam acontecendo há um ano... muitas. Eu ainda não imaginava a reviravolta que minha vida daria daí a poucas semanas... não fazia sequer ideia de tudo o que estava acontecendo ao meu redor. Eu não percebia. Ou não queria perceber. Apenas sentia que as coisas estavam erradas, sabia que não estava bom, que não estava certo. Mas não queria sair da minha zona de conforto.

Um ano não parece tanto tempo se você pensar na grandiosidade de uma vida inteira, mas pode ser muito tempo quando tomamos a decisão de mudar, de olhar pra dentro de nós mesmos e nos libertarmos de tudo de ruim que nos envolve. Um ano pode ser muito tempo quando decidimos encontrar a resposta para a pergunta: "quem sou eu?"


Dia desses li um trecho escrito pela Martha Medeiros que dizia: "Quem sou eu? A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam."


"A gente é o que a gente gosta." 

Complexo, não? Daí parto para outra pergunta: do que eu gosto? 

Hm... aí chegamos num ponto importante. Acho que passei uma parte enorme da minha própria vida sem saber exatamente do que gostava. Eu pensava que gostava de tantas coisas que hoje vejo que na verdade eram ilusões. Eu achava que gostava. Ou eu queria gostar. Não sei. Parece confuso, sei disso. 


Há pouco menos de um ano comecei a realmente descobrir do que eu gosto.


Logo, quem sou eu? 


Eu sou a leitura de um bom livro. Sou a calmaria de uma tarde de ócio. Sou um bom filme sobre a vida, uma série que não dá vontade de parar de assistir. Sou o feminismo, sou todas as mulheres que tentam fazer do mundo um lugar melhor. Sou o amor incondicional das minhas filhas felina e canina. Sou um bom café passado na hora, um bolo quentinho. Sou uma boa noite de sono, o cheiro de casa limpa, a brisa da manhã, o cheiro da natureza, o perfume da dama da noite. Sou a grama verde, o céu estrelado. Eu sou uma manhã na praia, a areia macia e o mar calmo. Eu sou a risada espontânea de um bebê. Eu sou Clarice Lispector, Myriam Campello, Rubem Alves, Caio Fernando Abreu. Eu sou Amelie Poulan, sou Arya Stark, sou Frida Kahlo, sou Dandara. Sou uma música boa. Sou o abraço de um amigo. Sou o colo da minha mãe. Sou as lembranças felizes da minha infância. Sou a troca de amor e energia do sexo com a mulher que amo. Sou a troca de olhares, o afago, o sorriso, a companhia, a cumplicidade.


Impossível terminar esse texto. E essa é a sua maravilha: não ter fim.


Martha, my dear, você tem toda a razão. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Vamos até onde possa ser só riso...

Pode haver um dia
em que a poesia
mude de endereço
deixe apenas tédio

mas enquanto isso
vem brincar comigo
vamos até onde
possa ser só riso
possa ir tão longe
possa ser tão lindo
pode ser brinquedo
pode ser tão sério


(Alice Ruiz) 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

27 pequenas mudanças para fazer antes dos 35 anos e agradecer aos 50

Dentre os grandes marcos da minha vida, assoprar as 30 velas no bolo com certeza foi um dos mais marcantes, porém, o grande marco, aquele que pareceu separar realmente o "antes" do "depois" foi definitivamente meus 32 anos.

Coloquei muitas coisas na balança, passei muitas na peneira... e enfim, continuo nesse processo. Não acho mesmo que seja algo que tenha um fim, vejo mais como um processo contínuo. Mas tudo isso foi só pra dizer que li uma matéria hoje que me deixou feliz ao enxergar que estou caminhando razoavelmente nesse aprendizado dos trinta e poucos anos:

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Contando as horas pra te ver

Hoje é dia de lhe encontrar, meu amor! Dia de ser feliz ao seu lado!
Será que você tem noção do quanto me faz sorrir, a cada momento que penso em você? Meu coração se enche de amor a cada minuto do dia, quando lembro que você existe, quando ouço nossa música (ou seriam "nossas músicas", já que todas as canções que você me apresentou me fazem pensar em você?!).

Por tanto tempo pensei que estava destinada a ficar sozinha, que seguiria por essa vida sem reencontrar o amor - e estava conformada com essa hipótese. Mas você surgiu para provar que eu estava errada.

Saudade, meu amor... contando as horas pra te ver...



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Conselhos para a mulher forte


(Gioconda Belli, Nicarágua, 1948)

Se és uma mulher forte
te protejas das hordas que desejarão
almoçar teu coração.
Elas usam todos os disfarces dos carnavais da terra:
se vestem como culpas, como oportunidades, como preços que se precisa pagar.
Te cutucam a alma; metem o aço de seus olhares ou de seus prantos
até o mais profundo do magma de tua essência
não para alumbrar-se com teu fogo
senão para apagar a paixão
a erudição de tuas fantasias.
Se és uma mulher forte
tens que saber que o ar que te nutre
carrega também parasitas, varejeiras,
miúdos insetos que buscarão se alojar em teu sangue
e se nutrir do quanto é sólido e grande em ti.
Não percas a compaixão, mas teme tudo que te conduz
a negar-te a palavra, a esconder quem és,
tudo que te obrigue a abrandar-se
e te prometa um reino terrestre em troca
de um sorriso complacente.
Se és uma mulher forte
prepara-te para a batalha:
aprende a estar sozinha
a dormir na mais absoluta escuridão sem medo
que ninguém te lance cordas quando rugir a tormenta
a nadar contra a corrente.
Treine-se nos ofícios da reflexão e do intelecto.
Lê, faz o amor a ti mesma, constrói teu castelo
o rodeia de fossos profundos
mas lhe faça amplas portas e janelas.
É fundamental que cultives enormes amizades
que os que te rodeiam e queiram saibam o que és
que te faças um círculo de fogueiras e acendas no centro de tua habitação
uma estufa sempre ardente de onde se mantenha o fervor de teus sonhos.
Se és uma mulher forte
se proteja com palavras e árvores
e invoca a memória de mulheres antigas.
Saberás que és um campo magnético
até onde viajarão uivando os pregos enferrujados
e o óxido mortal de todos os naufrágios.
Ampara, mas te ampara primeiro.
Guarda as distâncias.
Te constrói. Te cuida.
Entesoura teu poder.
O defenda.
O faça por você.
Te peço em nome de todas nós.

A vida é boa

Um novo ano, uma nova vida, um novo blog.
2017, meu caro, você veio para devolver luz à minha vida, definitivamente. Sou e serei eternamente grata. Após viver anos demasiadamente estranhos e ver a cor do fundo do poço com meus próprios olhos em 2016, o universo me presenteou com uma nova oportunidade. E essa nova oportunidade veio em forma de amigos, em forma de família, em forma de terapia e, principalmente, em forma de amor próprio. Tive a oportunidade de me redescobrir como ser humano, como mulher, como personagem essencial nessa história que estamos todos vivendo. E, bem, como poderia descrever o resultado disso tudo? Não sei, acho que não tenho a palavra exata. Mas poderia dizer resumidamente que foi o melhor resultado que poderia chegar. E 2016, na reta final (mais especificamente no dia 20 de dezembro, vejam bem), me presenteou com a oportunidade de amar e ser amada outra vez. Quantas pessoas encontram o amor genuíno? Às vezes tenho a sensação de que poucos são os que têm essa dádiva, por isso meu maior sentimento atual é: gratidão.

E cá estou, em 2017, a poucas semanas de completar meus 33 anos de vida, afirmando de boca cheia que não poderia estar mais feliz. Felicidade. Vivi em sua busca, enlouquecidamente, mas foi olhando para dentro de mim mesma que a encontrei - e dessa forma a encontrei também fora de mim, no outro.

Quero viver o agora. Nunca em toda minha vida isso foi tão nítido: viver o agora. Ser feliz agora.

Estou em paz.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer...

Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a apena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.

- Lya Luft -